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O Pré e o Pós-dipping

A maioria dos antissépticos para imersão de tetos é recomendada para o pré e para o pós-dipping (imersão pré ou pós-ordenha).

O principal propósito do pré-dipping é ajudar a prevenir novos casos de mastite ambiental. As vacas entram na sala de ordenha trazendo bactérias ambientais na pele do teto, e o objetivo do pré-dipping é garantir a eliminação destas bactérias do teto antes que se rompa o tampão de queratina e o úbere fique exposto a uma possível invasão. 

Por mais de duas décadas, os produtores de leite têm encontrado no pré-dipping uma opção benéfica e viável para a redução de novos casos de mastite ambiental. De fato, aproximadamente 85% dos produtores de leite têm adotado o pré-dipping como parte dos seus procedimentos padrões de ordenha. E, as pesquisas sobre pré-dipping sustentam esta tendência, nos mostrando que:

1) Há uma redução de cerca de 50% na incidência de novas infecções provocadas por estreptococos ambientais e coliformes;
2) Há redução de mastite clínica;
3) Pode haver uma redução na incidência de Staphylococcus aureus (que costuma formar colônias na pele do teto).


Contudo, todos os pesquisadores ressaltam que, para ser efetivo, o pré-dipping deve ser feito corretamente. Eles recomendam que o produtor de leite 1) escolha um produto para o pré-dipping comprovadamente efetivo; 2) aplique o produto somente em tetos razoavelmente limpos – os tetos excessivamente sujos talvez precisem ser lavados com uma solução apropriada para úberes antes do pré-dipping; 3) faça a imersão de cada teto (o ideal é 75-90% do teto) em um produto para pré-dipping para uma cobertura completa da superfície; e 4) permita que o produto fique no teto entre 15-30 segundos para obter uma ação germicida máxima, antes de tirar totalmente o produto do teto com papel toalha ou tecido limpo.

Já o objetivo do pós-dipping é prevenir a mastite contagiosa. As bactérias contagiosas vivem dentro do úbere ou na pele do teto e são transmitidas de vaca a vaca através das teteiras ou das mãos dos ordenhadores. O pós-dipping é aplicado imediatamente após a ordenha para eliminar as bactérias contagiosas antes que elas invadam o úbere. Não podemos esquecer que, depois da ordenha, o esfíncter permanece aberto e exposto por aproximadamente uma hora.

Contudo, é importante lembrar que se o equipamento de ordenha não estiver adequadamente dimensionado, ou se os procedimentos do ordenhador não forem apropriados, o leite pode fluir de volta do coletor para o teto. Precisamente neste momento pode ocorrer a invasão de bactérias (contaminação cruzada), e, neste caso, o antisséptico para tetos não oferecerá muita proteção.


O iodo como germicida

O iodo é o germicida mais comum contido nos produtos para tetos. Para que se tenha uma ideia, nos EUA, cerca de 70% dos produtores usa algum tipo de antisséptico para tetos a base de iodo. O motivo da escolha está principalmente relacionado ao custo. Comparando preços, eficácia germicida e capacidade de ação diante de elevados volumes matéria orgânica, o iodo permanece ainda como uma boa opção para a maioria dos produtores de leite, oferecendo uma melhor relação custo/benefício.

O que faz de um antisséptico, um Antisspéptico de Tetos tipo Barreira?

O termo “barreira” não está definido por nenhum tipo de lei nem lhe são atribuídos padrões estabelecidos por associações científicas. É um termo de mercado para se referir àqueles antissépticos de imersão que possuem uma suposta ação dupla – eles previnem casos de mastite ambiental e mastite contagiosa.

Os parâmetros que definem se um antisséptico é de barreira ou não, são estabelecidos individualmente por cada empresa. , o termo barreira quer dizer que o antisséptico para tetos que, depois de seco, forma um filme protetor sobre a superfície do teto, não se relacionando simplesmente com a viscosidade. Os antissépticos de barreira podem ser usados o ano todo, contudo, são bastante indicados em regiões ou períodos em que o risco de mastite ambiental é elevado (períodos de chuvas, lama, umidade alta, etc.).

Visibilidade

Na medida em que os mercados se desenvolvem e que as fórmulas de antissépticos para tetos mostram-se cada vez mais eficazes no controle da mastite, os produtores começam a procurar benefícios adicionais para os antissépticos que empregam. Por saberem que os antissépticos não serão eficazes a menos que sejam propriamente aplicados, muitos produtores buscam por produtos que proporcionem uma boa visibilidade da aplicação. A ideia é que o ordenhador possa ver o produto cobrir 75-90% do teto (conforme recomendação), e que os supervisores possam verificar a cobertura também. Esta característica é apreciada nos antissépticos para tetos iodados.

Baixo Índice de Gotejamento

Atualmente os produtores de leite esperam que os antissépticos para imersão gotejem pouco. O motivo é que eles querem mais produto nos tetos e menos no chão. A maioria dos antissépticos de imersão ditos de baixo gotejamento gotejará em algum momento, dependendo em alguns casos das condições do tempo, mas eles o fazem menos do que os antissépticos tradicionais. Mais uma vez, o objetivo é ter o produto nos tetos da vaca e não no chão! 

O produto designado “baixo gotejamento” não pode se assemelhar a uma massa sólida quando aplicados, pois são tão espessos que não conseguem penetrar nas fissuras da pele do teto ou no canal do teto. Esta característica é denominada “capilaridade.” Assim, buscamos sempre o melhor equilíbrio entre o baixo gotejamento e capilaridade na formulação dos produtos.

A intensidade da ação germicida

A intensidade da ação germicida tornou-se recentemente outro tópico relevante na cadeia produtiva do leite. Este fato está mais relacionado à eficiência do que ao controle da mastite, assim como também está mais relacionado ao pré do que ao pós-dipping. A recomendação geral para o tempo de contato do produto no pré-dipping varia entre 15 e 30 segundos. Passado este período, o produto pode ser removido com o auxílio de uma toalha de papel descartável ou de tecido limpa. Contudo, com o aumento do tamanho dos rebanhos, tornou-se importante a relação de “vacas por hora” na ordenha. Por isso, os produtores procuram reduzir o tempo de contato no pré-dipping com um produto de ação germicida mais rápida. Isto permite antecipar a colocação do conjunto sem que seja afetada a capacidade de matar bactérias pelo antisséptico. Estes segundos economizados podem significar, por fim, uma grande economia de tempo para estes produtores. Contudo devemos nos atentar que, fisiologicamente, a vaca precisa de 60 a 90 segundos para que se consiga a máxima descida do leite.

Do laboratório para a sala de ordenha

Sempre que houver um aumento repentino na CCS ou mastite, o antisséptico para tetos é o primeiro suspeito, sendo colocado imediatamente na berlinda. A verdade é que a fórmula do produto não é o único aspecto responsável pelo controle da mastite. Os ordenhadores, os procedimentos de ordenha, as vacas e o seu ambiente, assim como o equipamento (se a manutenção é feita regularmente, seu funcionamento é adequado, etc.) são também fatores relevantes no controle da mastite. Não há fórmula, independente o quão eficazes foram os resultados dos seus testes de protocolo, que compense procedimentos e equipamentos inadequados ou as más condições ambientais. Todas as práticas de uma fazenda leiteira devem objetivar o controle da mastite e a qualidade do leite. Os especialistas sugerem que se faça um plano completo para o controle da mastite, onde a imersão dos tetos mantém-se como um aspecto importante, mas não como o único elemento do plano.